sexta-feira, 3 de julho de 2015

Música para um dia meio cinza

Faça esse drama - 5 a seco

Queira cara ou não queira
Junte agora a cara, jogue noves fora
Vida não é brisa, coma pela beira
Brasa mora agora
Deixa estar, vai passar
Queira cara ou não queira
Tome a saideira
Cara, beba agora
Pois demora hora, uma vida inteira
Para a vida leve
Revelar, relevar
Onde a curva do amor findar
Corte que não quer fechar
Ande onde a onda te levar
Se naufragou, faça desse drama sua hora
Faça disso a hora de recomeçar
Para conviver com a dor
Para a dor também saber passar
Se já passou, dê sorriso à cara
E vá embora

E ao voltar a caminhar, só então poder ver
Queira cara, ou não queira
Que já dá pra levantar vôo...
Quem precisa acreditar no que o olho diz ver
Seja brasa, brisa ou beira
Só vai ser aonde quer for...



terça-feira, 30 de junho de 2015

Maturidade e Espiritualidade

Então alguém da Órbita publicou isso aqui: A escalada para a maturidade
A escalada para a maturidade. Se você não manja de inglês, clique no link ali encima e role a página para ver as traduções.
Excelente para uma reflexão matinal. Vejo ali alguns quesitos nos quais progredi muito nos últimos anos, embora ainda precisem de trabalho, e alguns em que eu ainda tenho muito a melhorar. Depois da reflexão pra dentro, fiz uma reflexão pra fora: o que isso tem a ver com a situação do mundo agora e, principalmente, com o estado e posicionamento da juventude.
O resultado da minha breve reflexão, que eu gostaria de discutir com vocês: boa parte da nossa geração (nascidos entre os anos 1980 e 2000), chamada de Millennials ou Geração Y sofre de uma séria crise de maturidade. E, do meu ponto de vista, isso tem tudo a ver com uma séria crise espiritual.
Preciso fazer um grande parênteses aqui para me explicar melhor. Espiritualidade é, para mim, um tema extremamente complexo e delicado. Como eu já disse em outras postagens, eu já fui extremamente religiosa. Mas o momento em que isso aconteceu foi o momento em que eu encontrei na religião uma grande identificação com os meus valores, através do movimento dos Focolares. Na igreja católica tradicional, que eu frequentava desde criancinha, eu me sentia oprimida. Me sentia forçada a seguir uma série de regras, mesmo que eu não entendesse ou concordasse com elas. Briguei com um catequista uma vez, que passou para a minha turma uma 'lista de pecados' para evitarmos, que incluía o uso de métodos contraceptivos e outros itens bastante controversos. Eu tinha uns 12 anos na época. Um pouco antes, meu irmão havia brigado com um outro e abandonado permanentemente a catequese (algo que provavelmente ele só estava esperando uma desculpa pra fazer) porque o catequista queimara os livros do Harry Potter dos filhos dele, dizendo que não eram coisas de Deus. No Focolares eu me encontrei. Haviam regras sim, mas para todas elas eu via uma explicação lógica, algo que eu queria: tornar o mundo um lugar mais feliz, pacífico e ser agente de transformação. Creio que muitos da geração Y tenham vivido histórias parecidas com a minha e a do meu irmão (ambos ateus hoje). Talvez nem todos tenham o nosso temperamento e não tenham se dado ao trabalho de discutir, mas simplesmente terminado a catequese, ou permanecido no grupo de jovens, ou o que quer que seja, para satisfazer os pais, ou porque não via outra forma de viver espiritualmente. E assim, nossa geração criou uma relação tensa e insatisfeita com a espiritualidade. Muitos mudaram de religião, encontrando alguma em que se sentissem mais acolhidos e menos oprimidos. Na faculdade, eu já tinha muito mais amigos espíritas, por exemplo, do que católicos ou evangélicos. Atualmente, o grupo é bem mais diverso. Mas o que me pergunto é o impacto que essas dúvidas causaram em nós. Quais foram os valores que ficaram, diante de tanto questionamento? O que entendemos, hoje, por espiritualidade?
Meus pais são católicos e são, também, pessoas inteligentes e questionadoras. Um dia estávamos conversando sobre isso, porque eu realmente queria entender o que espiritualidade significava pra eles, para mim, e se eu tinha alguma forma disso ainda na minha vida. Pela nossa conversa, acabei chegando à conclusão que eu tenho sim uma espiritualidade só minha. A vontade de ser alguém melhor todos os dias, de avaliar minhas atitudes, refletir sobre os meus posicionamentos, medir o impacto do que eu falo e faço nas pessoas à minha volta: essa é minha espiritualidade hoje. Ser grata (ao universo, a um criador, faz mesmo tanta diferença?) por tudo que eu tenho, por toda forma de beleza que existe, pelas oportunidades que tenho. Minha oração tem sido tentar, todas as noites, agradecer e refletir. Isso não é, afinal, igual à maioria das orações? Mas eu ainda sinto falta de algumas coisas. Nesse começo de ano atribulado, cheio de perdas incompreensíveis, falta o conforto que eu tinha quando acreditava que as pessoas estariam em algum lugar melhor, e que eu poderia me reconectar com elas ao rezar por suas almas. É algo em que eu ainda preciso trabalhar, porque a mudança de paradigma do catolicismo para o ateísmo, nesse ponto, é grande demais para ser absorvida da noite para o dia.
Hora de fechar o parênteses. Quando eu digo espiritualidade, então, não estou me referindo a religiões, necessariamente. Estou me referindo a qualquer forma de crença, mesmo que seja a crença na melhoria individual do ser humano. Buscando rapidamente no google, achei a seguinte definição nesse blog aqui:
Se formos procurar definições formais veremos que espiritualidade, vem do latim “spiritus”, é o conjunto de atitudes, crenças e práticas que fazem parte da vida das pessoas e as ajudam a alcançar realidades mais sensíveis e a ter um relacionamento com o transcendente – no nosso caso Deus – consigo mesmo, com o outro e com o mundo. Está presente em todas as religiões. Ou seja, uma pessoa pode ter espiritualidade, sem estar ligada a nenhuma Igreja ou religião.
E na wikipedia:
espiritualidade pode ser definida como uma "propensão humana a buscar significado para a vida por meio de conceitos que transcendem o tangível, à procura de um sentido de conexão com algo maior que si próprio". A espiritualidade pode ou não estar ligada a uma vivência religiosa. [...]
Alguns autores, porém, defendem a existência de uma espiritualidade inclusive em meio ao ateísmo. O filósofo ateu Karl Marx fala de uma "espiritualidade sem Deus" no sentido de uma abertura para o ilimitado, um reconhecimento de sermos seres relativos, mas abertos para o absoluto. Seria o reconhecimento da dimensão misteriosa e ilimitada da existência, que não precisaria passar por alguma explicação religiosa; uma experiência que vai além do intelecto.

Então, quando digo que a geração 80-2000 sofre de uma crise espiritual é a isso que me refiro. Muitos de nós ainda não sabem como viver espiritualmente sem que isso seja um fardo, uma forma de opressão. Como tantas outras características da nossa geração, isso é possivelmente um resultado do grande volume de informação ao qual temos acesso e à nossa liberdade de escolha. Talvez, para encontrarmos os nossos caminhos, a gente precise primeiro se reconciliar com as nossas origens. Cutucar uma ferida dolorida: o que nos fez romper (ou não) com as doutrinas nas quais fomos criados? Entender as motivações daquelas doutrinas, e o que exatamente nos afastou delas (ou não). Não foi a vontade de se rebelar como aconteceu com os nossos pais, filhos dos anos 60. Não, acho que tem mais a ver com alguns dos bodes do lado da imaturidade: O que tem que saber de tudo, o que tem que estar certo, o que fala e não escuta, o que acha que o problema de tudo está no mundo e o obcecado por status. Só que dói olhar pra dentro né, gente? Com o perdão da palavra, é doído pra cacete. É muito mais fácil colocar a culpa no universo, ou em Deus, ou até no demônio.
Não sei as suas, mas as minhas timelines estão repletas disso. Como dizia Fernando Pessoa: "Arre, estou farto de semideuses!" E vejam bem: eu falo isso com um baita espelho na minha frente (quer auto-elogio maior do que esse texto??!). Adicionando um pouco de humildade às nossas vidas, acho que andamos muito em direção ao meio da figura. Mais espelhos, menos janelas.

Aprender, aprender, errar, admitir isso e tentar melhorar, aprender mais um pouco, agradecer, errar de novo, pedir perdão, entender e perdoar o erro do outro, aprender, errar, admitir, melhorar. Amém.

Geração Y: tantas opções, tanta liberdade, e não fazemos ideia do que fazer com isso.
Ei, mas estamos tentando. Olhe à sua volta e procure direito, e verá muitos exemplos. Temos muita energia e muita vontade, só precisamos de direção. Senão, somos apenas crianças grandes com sérios casos de TDAH. E haja Ritalina e Rivotril.

O primeiro passo? Talvez esse: Ei, você não está sozinho.


Ps: mais um dos meus textos que foi tomando forma, fugiu do meu controle e talvez não tenham nem pé nem cabeça. Pode criticar aí, faça o favor.
Ps: recomendo a coluna "Álvaro, me adiciona", do Duvivier.

sexta-feira, 22 de maio de 2015

É esse o vírus que eu sugiro que você contraia

Quando eu escrevi o Simplicidade, eu não queria transformar esse blog num blog sobre depressão, ou sobre doenças psíquicas de uma forma geral. Eu queria dividir. Queria saber se haviam outras pessoas como eu, e dizer pra elas que elas não estão sozinhas. Queria que alguém, quem sabe, se inspirasse na minha iniciativa de dividir e criasse a coragem de dividir também.

Muitas vezes as pessoas me perguntam: Marina, o que você quer ser da vida? ou O que você quer estar fazendo daqui a cinco, dez anos?

Eu não tenho resposta pra essas perguntas. Pelo menos não uma resposta tradicional: dizer onde quero estar morando, onde quero estar trabalhando, se estarei casada, com filhos... Não sei de nada disso, e, pra ser honesta, só penso nisso porque me perguntam. Esse tipo de pergunta parece partir do pressuposto de que quantos filhos terei, onde estarei morando, quanto estarei ganhando, de alguma forma vão definir o meu grau de sucesso como pessoa, permitir que eu me compare a outros, diga se eu estou melhor ou pior, e a partir disso - do meu sucesso e da minha posição em relação aos demais - determinarão a minha felicidade. Parece pressupor que existe um objetivo a ser atingido que é comum a todo mundo.
Oi?!
Não quero ser hipócrita. Lógico que eu quero ganhar o suficiente pra ter uma vida confortável, pra dar uma vida confortável para os meus filhos, se eles vierem a existir. Mas não acho que como, quando e se essas coisas acontecerão devem seguir um padrão que determina meu sucesso ou fracasso como pessoa.
Para ser ainda menos hipócrita, preciso dizer que hoje penso e digo tudo isso porque enxergo que os principais motivos para eu ter ficado deprimida têm tudo a ver com a necessidade de atender esses padrões. Eu era, afinal, a garota-padrão. Aquela que os pais dos coleguinhas diziam para os coleguinhas serem iguais. A boa influência. A "que tinha futuro", que "ia longe". Longe, onde? Ninguém parecia querer saber minha opinião, e por muito tempo tampouco eu quis. Honestamente, eu acho que as pessoas que são felizes vivendo pelo padrão são aquelas que fazem isso simplesmente porque as escolhas que fizeram ao longo da vida levaram a isso, e essas escolhas foram baseadas realmente no que elas queriam. Dá pra contar em uma mão as que eu conheço que acredito que se encaixem. O Djavan fala disso lindamente aqui (minha interpretação).


Alguns meses atrás eu estava bastante, digamos, chateada, porque não conseguia visualizar minha vida daqui a dez anos. Fiz da minha tarefa diária pensar a respeito e tentar descobrir, e a primeira pergunta que eu tentava responder era: O que me faz feliz?

(Pausa para tocar o jingle do Pão-de-Açúcar na minha cabeça)
Pronto.

Uma vez alguém me perguntou isso e me pegou totalmente desprevenida (Isso foi antes do comercial do pão-de-açúcar passar a me perguntar isso várias vezes ao dia, lógico). Ninguém nunca tinha me perguntado isso antes, nem eu. Aí veio outro branco, igual o que tive pra colocar as dez qualidades. Quando eu estava no auge da crise (no fundo do poço), nada me fazia feliz. Nada estava bom, ninguém era bom. A comida perde o gosto, o sorriso é amarelo, namorar parece esforço demais, conversar é sacrifício, levantar da cama é uma tarefa quase impossível. E foi de pensar nisso que percebi que realmente o que me faz feliz não é nada grandioso, não é uma grande realização, não é ser igual.
Já sentiu, em algum momento, a sensação quase física de que seu coração está prestes a explodir? Que seu sorriso vai sair do rosto, que você poderia abraçar alguém tão apertado que faria a pessoa em pedacinhos, que você gostaria que aquele momento durasse pra sempre? Já sentiu o sorriso ficar grudado, o amor não caber em você e ter que ser doado? Já se sentiu completo(a), congelado num momento, alimentado, satisfeito, ... FELIZ?

... Pois é.

Nunca me senti assim porque olhei pra minha vida, olhei pra de outra pessoa, e vi que estava melhor. Nunca me senti assim porque tinha dinheiro no banco. Nem porque tinha 23 anos e já era mestre. Tudo aquilo que era pra me fazer feliz não me fazia, não me faz. Tudo isso faz parte, claro, é o plano de fundo, é o contexto. Mas o que realmente me faz ficar assim é tão efêmero, tão minúsculo... e ao mesmo tempo tão grandioso. É tudo e é nada ao mesmo tempo. É amor, paz de espírito, nirvana. É não querer mais nada e sentir nada além de gratidão e vontade de devolver tudo de maravilhoso que me foi dado. Eu vi felicidade assim, pura e simples, tão grande que abraça a gente, em agricultores que trabalhavam todos os dias, sem folga, desde a infância, e já estavam lá na casa dos 60. Tinham a casinha deles, mais refinada ou mais simples, alguns famílias grandes, outros só uma esposa ou nem isso. Mas eles amavam. Amavam a família que tinham, a casa que tinham feito, cada pé de alface que plantavam. Amavam saber que alguém ia comer aquilo. Davam de graça, não ligavam pra quanto custava aquilo ali. Se você pedisse um, eles davam logo uma caixa, e jamais te deixavam pagar. Estavam lá, debaixo de sol, colhendo brócolis na mão desde 5 ou 6 da manhã, e abriam mão assim, sem pestanejar. Paravam para conversar e diziam o quanto eram gratos pela vida deles, enquanto eu, tão ignorante, avaliava o quanto a minha vida era melhor que a deles.
Fui enganada. Fui levada a acreditar que pra ser feliz, primeiro eu tinha que fazer tudo direito. Tinha que estudar, conseguir um bom emprego, formar uma família. Meus pais, coitados, têm pouca responsabilidade nisso: tentaram me mostrar que não era bem por aí, mas eu via o mundo ao meu redor, e achava que era assim que funcionava. Ficava doída de vontade de participar das coisas, de experimentar, mas não fazia, porque não queria fracassar. Não sabia rir de mim, levantar e tentar de novo, ou tentar outra coisa. Considerava uma pessoa rindo de mim uma profunda ofensa pessoal. As crianças podem ser muito cruéis, então é fácil imaginar que eu estava frequentemente ofendida.
Dizem que o deprimido vive no passado, o ansioso no futuro. Pois eu sou os dois. Como faz com o meu presente?
Escrevendo aqui agora, pensando... lembro de momentos tão simples, que foram da mais pura felicidade. Quando a minha sobrinha fala algo engraçado, ou quando me abraça. Quando me enfio na cama dos meus pais, como fazia quando criança, e eles me abraçam. Quando meu cachorrinho vem, todo faceiro, com a bolinha na boca, coloca ela no chão na minha frente e fica olhando pra mim e abanando o rabinho; quando estou trabalhando e, do nada, o Sanzio vem e me faz um carinho, me traz um copo de suco, me dá um beijo... Quando recebo uma mensagem ou um e-mail de um amigo que não falo há tempos, dizendo: "Oi, vi uma coisa aqui e lembrei de você! Como você tá?". Quando escuto ou leio algo que toca no fundo da minha alma, que me faz descobrir algo novo sobre mim mesma ou sobre o mundo. Quando sou capaz de ajudar, mas ajudar de verdade, alguém. Quando leio um comentário bacana aqui no blog. Quando vou pra casa e almoço com a minha família, e damos risada das nossas bobeiras.
É por esses momentos que eu levanto da cama todos os dias. É pra vivê-los e pra tentar proporcioná-los aos outros. Por saber que talvez algo que eu faça hoje, pode deixar a vida de alguém mais leve. É isso que me move. Saber que algo muito louco e muito inesperado pode vir e virar tudo de cabeça pra baixo, e aí eu ver que na verdade eu é que estava olhando do lado errado.
Ser gentil faz bem, mais pra gente do que pro outro.

Então, me perguntem: Marina, onde você quer estar daqui a dez anos? O que você quer ser da vida?

É isso que eu quero ser. Gentil. Meu trabalho é todo dia melhorar: que amanhã eu seja capaz de mais gentileza do que hoje. Que amanhã, eu faça mais bem do que mal ao que eu tocar. Que eu faça pequenas coisas felizes acontecerem na minha vida e na dos outros. Eu já não sou católica-apostólica-romana, mas não pude deixar de lembrar da tão maravilhosa oração de São Francisco. E como disse o Djavan:

"Ah, se todo o mundo pudesse saber
Como é fácil viver fora dessa prisão
E descobrisse que a tristeza tem fim
E a felicidade pode ser simples como um aperto de mão
Entendeu?
É esse o vírus que eu sugiro que você contraia

Na procura pela cura da loucura,
Quem tiver cabeça dura vai morrer na praia."

terça-feira, 19 de maio de 2015

Organização

Pensando e procurando maneiras de organizar minha vida, começando pela casa, encontrei um teste bem bacana. Esses testes bobos online estão entre os meus guilty pleasures*, mas esse eu achei realmente bem útil, porque as dicas são super válidas. São dois tipos de organização: de espaço e de tempo. Não é preciso ser um oráculo pra saber que a minha organização de tempo beira o caos completo, enquanto a de espaço é pura neura. Se a pessoa é impaciente (86%), perfeccionista (74%) e minimalista (100%!!!!), com grandes 4% de bagunceiro, como é que não vai viver estressada? Ainda mais vivendo com um homem que eu suspeito fortemente que seja exatamente o contrário**?
Outro guilty pleasure: assistir o Diário de Bridget Jones pela milionésima vez.
Enfim. Achei interessante porque a desorganização de tempo é um ponto central para muitos dos meus problemas, e algo a que pretendo dedicar uma postagem inteira. Se se interessar, faça o teste; se achar bacana, coloque seus resultados ou considerações nos comentários.

TEMPO

Tendências:
Impaciente 86%
Perfeccionista 74%
Postergador 72%
Acelerado 60%
Generalista 40%

Características do perfil:
Você tende a não ter muita paciência para suportar trabalhos burocráticos, fazer a mesma coisa todos os dias ou ter uma atividade que apresente pouca variação. Também tende à dispersão e tem dificuldades em terminar o que começou ou estabelecer prioridades de execução. Pode esmorecer perante obstáculos e às vezes tem necessidade de estabelecer novos objetivos. No seu caso, atividades novas e desafiadoras podem trazer ânimo, mas podem também fazer você perder o interesse pelas anteriores.

Sugestões:
  • Para manter seus afazeres em dia, utilize sempre uma lista de tarefas geral e outra com as tarefas diárias. Na primeira, anote todas as obrigações e projetos de sua agenda, sem se preocupar com a ordem. Diariamente, transfira os itens mais importantes ou mesmo urgentes para a lista de tarefas a ser realizada naquele mesmo dia, anotando a prioridade de cada uma.
  • Relógios com alarmes, timers de eletrodomésticos e outros dispositivos semelhantes irão avisá-lo quando você não estiver cumprindo suas prioridades no prazo pré-determinado. Programe esses aparelhos para despertar a cada intervalo de meia hora, para lembrá-lo de manter ou voltar o para as tarefas em execução.
  • Já que você se distrai facilmente, tente utilizar lembretes visuais sempre que possível. Os lembretes podem ser elaborados e expostos depois de você checar sua relevância, se fazendo as seguintes perguntas:
    • O problema da interrupção realmente necessita ser resolvido imediatamente?
    • O problema pode ser resolvido em um momento posterior?
    • O problema pode ser desviado para outra pessoa?
  • Quando for interrompido, faça uma anotação que o lembre onde você parou. Dessa forma você retomará o trabalho rapidamente, sem perda de tempo.
  • Minimize as fontes de distração, como por exemplo fechar a porta e deixar em seu exterior uma mensagem, pedindo que não o interrompam. A alternativa é estabelecer os períodos do dia em que você estará disponível para atender as pessoas. Elabore instruções para que todos à sua volta saibam o que fazer sem interrompê-lo.
  • Divida seus projetos em itens que possam ser cumpridos em intervalos menores. Dessa forma você pode distribuir seu tempo entre vários projetos e ainda assim executar todos os seus planos.
  • Estabeleça limites de tempo às visitas e chamadas telefônicas recebidas, de modo que elas não ocupem o tempo a ser gasto em suas prioridades. Diga: 'Eu tenho apenas cinco minutos para falar com você'.

ESPAÇO

Tendências:
Minimalista 100%
Impecável 56%
Visual 34%
Espaçoso 32%
Bagunceiro 4%

Características do perfil:
O Perfil Minimalista corresponde às pessoas que gostam de deixar à vista apenas o necessário, já que suas mentes associam ambientes limpos à organização. Alguns minimalistas chegam a ter dificuldade para localizar seus objetos novamente, já que têm o impulso de inserir tudo o que possuem em armários e gavetas, sem nenhuma lógica de organização.

Sugestões:
  • Já que você não gosta de manter papéis à vista, é essencial criar uma forma de arquivamento eficaz. Não existe apenas uma maneira correta de arquivar, já que o sistema escolhido terá de atender às necessidades de cada usuário. Porém, há algumas características comuns entre aos arquivos mais populares. Por exemplo, para facilitar a visualização e torná-la imediata, você pode separar as categorias por cor e então optar por outras formas de organização, como ordem alfabética, numérica ou cronológica. De qualquer forma, o sistema escolhido deverá possibilitar que você encontre qualquer documento em 10 segundos ou menos.
  • Adote pastas que contenham várias divisórias e permitam adicionar novas divisões a qualquer momento. Dessa maneira, todos os seus documentos ficam guardados e ao mesmo tempo fáceis de ser serem encontrados.
  • Utilize programas para computador que reúnam, em uma mesma unidade compacta, calendários, listas de contatos, agendas de compromissos e outras ferramentas de planejamento pessoal.
  • Utilize escrivaninhas e armários cujas portas e tampas se recolhem em rolo para o interior do móvel quando abertas. Quando fechadas, são capazes de esconder todos os objetos dispostos sobre o tampo e prateleiras. A alternativa é utilizar mesas com suportes que podem ser embutidos por meio de roldanas, ao estilo dos utilizados para apoiar teclados de computadores.
  • Já que você provavelmente irá manter a maior parte de suas coisas guardadas em sua escrivaninha, use divisórias e demais organizadores sempre que possível.
  • Móveis com espaço interno adaptável são uma boa alternativa para o minimalista. Escolha armários com compartimentos extras e divisórias removíveis e ou montáveis, bancos com espaço para guardar objetos abaixo do assento e escrivaninhas com várias gavetas.
  • Em vez de manter os trabalhos cotidianos em papel, centralize-os no computador. Troque sua agenda telefônica por programas de computador e crie fichas padronizadas com espaço para digitação e inserção de seus contatos e dados. Aproveite também e utilize o correio eletrônico ao invés de enviar mensagens escritas.
  • Caixas ou pastas organizadoras podem ser encontradas nas mais diferentes formas, tamanhos e cores. Escolha contêineres translúcidos, para que seja possível saber de antemão o que eles contêm. Guarde em um mesmo local os objetos pertencentes à mesma categoria, lembrando-se de intitular corretamente, por meio de etiquetas, o recipiente que os armazena.Faça um mapa ou uma lista detalhando onde estão armazenadas as suas coisas. Quando você precisar encontrar algo, simplesmente consulte essas anotações. Dessa forma você conseguirá encontrar o que quiser em poucos minutos.
  • Faça um mapa ou uma lista detalhando onde estão armazenadas as suas coisas. Quando você precisar encontrar algo, simplesmente consulte essas anotações. Dessa forma você conseguirá encontrar o que quiser em poucos minutos.
* "Prazeres vergonhosos", em uma tradução bem livre. Ex: aquele reality show das Kardashians que você adora, mas não conta pra ninguém e quando alguém menciona você faz cara de horror; aquele CD de boyband que você comprou e escondeu no fundo da gaveta, e só escuta quando não tem ninguém por perto, etc.
** A confirmar em breve

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Cheguei agora, no vento.

Fiquei muito feliz com a recepção de você ao post Simplicidade. Confesso que não esperava e que tinha medo. Inúmeras vezes pensei em discutir esse assunto aqui, em sair do armário, mas sempre desistia por pensar que ninguém ficaria confortável com a minha exposição exagerada. Talvez, no fim, eu temesse apenas o meu próprio desconforto.

A verdade é que falar publicamente sobre algo tão meu, com o qual eu vivo todas as horas do meu dia, até dormindo, é mesmo intimidante, e imagino que não seja só pra mim. Na minha terapia, descobrimos que eu avanço mais quando falo sem olhar para o terapeuta. Já faz mais de seis meses que todas as minhas sessões são assim: olhando e falando para a parede. Agora estou aqui, olhando para o computador, e vocês estão aí do outro lado. Então é mais fácil. Na internet, criamos personas que só tem as características que nós queremos que tenham. Eu podia muito bem vir aqui e falar sobre como é tudo lindo na minha vida e eu sou fantástica, e a princípio ninguém ia poder dizer o contrário. Mas pra aproximar, preciso deixar que se aproximem, portanto sou aqui o mais perto que consigo do que sou em qualquer lugar. É mais fácil falar como personagem do que como eu mesma... Talvez por isso tantas pessoas tímidas façam teatro, TV e/ou cinema. E talvez por isso também eu goste tanto dessas artes.

(Abre um grande parênteses:
Sobre isso, o querido e saudoso Rubem Alves publicou um texto excelente, no livro Pimentas da ed. Planeta. Recomendo sempre. Ele cita ainda, como faz frequentemente, Fernando Pessoa:
O poeta é um fingidor. 
Finge tão completamente 
Que chega a fingir que é dor 
A dor que deveras sente.
Nunca me atrevi a ser poeta - meu pai é! -, mas não acho que isso valha apenas para a poesia. Vale para qualquer forma de expressão artística. Enfim, leiam o Pimentas. E todos os outros do Rubem Alves, e todos os outros do Fernando Pessoa. Fiquem meses lendo e digerindo aos poucos as maravilhas que esses dois gênios já dividiram conosco, mortais. E depois comecem de novo. Loop infinito.)

               Isso toca numa questão crucial de toda a minha jornada (é só pra mim que essa palavra soa terrivelmente piegas?). Ao longo da minha infância, eu vivia um conflito intenso de dois desejos: o de ser notada e o de não ser julgada. Eu queria aparecer, digamos assim. Mas não queria que, ao aparecer, minhas falhas aparecessem junto (e olha eu aqui, agora, expondo-as ao mundo). Queria ser admirada pelos colegas, ser motivo de orgulho para a família, ser a queridinha dos professores. E eu conseguia, de certa forma, pelo menos os dois últimos; o primeiro merece uma postagem só pra ele. Conforme fui crescendo, foi ficando mais complexo. Ser perfeita já não era tão simples, porque minhas definições de perfeição começaram a cair por terra. Todos os meus deuses, digamos sem entrar em questão semântica mais complexa, se tornaram humanos e, por princípio, imperfeitos. Aqui incluo deuses católicos-romanos - ainda sem entrar na semântica. Eu era extremamente religiosa, mas já não podia fechar os olhos para as mazelas da Igreja, em letra maiúscula, como instituição, que para mim deveria saber mais do que ninguém como viver a Palavra. Não podia fingir que não via quantos dos maiores males da humanidade vinham, de certa forma, como consequência de seguir a religião ao pé da letra, sem questionar nada, como eu cheguei a fazer. Não podia deixar de admitir quantas coisas não faziam sentido nenhum, se a Igreja existia pelo amor e para o amor. Já não dava mais pra ser 'perfeita' em todos os sentidos ao mesmo tempo: eu não conseguia agradar a todos, e começava a surgir uma outra pessoa querendo desesperadamente ser agradada: eu. As expectativas de perfeição que eu projetava que meus pais tinham para mim, que meus colegas tinham para mim, que meus professores tinham para mim, e por aí vai, já não casavam. Cada um queria uma coisa. Como é que eu poderia ser perfeita, se aqueles que eu olhava como exemplo não eram, para que eu pudesse copiá-los? Como é que eu poderia ser perfeita, se cada pessoa tinha uma ideia de perfeição?
               Foi então, por volta dos 15 anos, que eu fiz minhas primeiras incursões assustadoras, daquelas para dentro. Então espera aí: se cada um tem uma definição de perfeição, qual é a minha?
Lembro bastante bem de uma situação que aconteceu mais ou menos nessa época. Eu estudava numa escola técnica que promovia muitas atividades voltadas ao desenvolvimento profissional, o que incluía, claro, o marketing pessoal. Se bem me lembro, era uma palestra sobre Apresentação e Marketing Pessoal* com uma mulher que fazia coaching de carreira - meus amigos do ensino médio me ajudem aí a lembrar. Ela pediu que escrevêssemos numa folha dez defeitos e dez qualidades nossos. Imagino que essa seja a atividade mais rudimentar de auto-conhecimento que existe, mas para mim, naquela hora, foi um despertar. Enchi a lista dos dez defeitos com folga, sem parar pra pensar, e com vários de sobra. Não consegui escrever nenhuma qualidade. Nenhuma.
               Digo, eu tinha tipo uns 15 ou 16 anos e não via nada de bom em mim. Absolutamente nada, não importa o quanto eu quebrasse a cabeça. Porque havia uma regrinha para a 'brincadeira': tinham que ser atributos que eu considerasse defeitos e qualidades que eu possuía, e não o que alguém tinha me dito que eu era. Eu era inteligente, diziam. Diziam também que eu escrevia bem, o que eu achava que estava mais ou menos ligado. Bom... parava mais ou menos por aí.
Eu sempre achara que havia algo errado comigo. Quando criança, frequentemente dizia para minha mãe que eu precisava de psicólogo. Ela dizia ser bobagem, principalmente porque eu era uma criança saudável e feliz, e na época não tínhamos grana pra bancar psicólogo. Nos anos 90 esse negócio de criança precisar de tratamento psiquiátrico/psicológico ainda não tinha virado coisa corriqueira (principalmente no exagero que é hoje). E, pensando bem, mesmo se já estivesse na moda, provavelmente meus pais não teriam entrado na onda.
               Mas enfim... eu sempre achara que havia algo errado comigo. Depois disso, passei a ter certeza e abrir todas as feridas que fossem necessárias tentando descobrir: o quê?

* Me perdoem os administradores e outros que podem ser adeptos disso, mas eu acho marketing pessoal uma chatice sem fim.

Um pedido

Sobre o primeiro parágrafo da minha postagem anterior...
Gostaria muito de ter desenhada essa minha imagem mental. Penso seriamente em tatuá-la, inclusive, porque representa muito pra mim, e vai sempre representar. Por isso peço aos amigos e/ou visitantes que tiverem jeito para o desenho (que eu tenho absolutamente nenhum): se sentiram algo com esse texto, tentem expressar em desenho o primeiro parágrafo e as suas próprias impressões. Alguém topa? Está lançado o desafio.

domingo, 17 de maio de 2015

Simplicidade

Uma imagem: uma menina se olha no espelho. Ela, confusa, resignada, pensativa. Ela do espelho, cheia de si, com o dedo apontado e as sobrancelhas franzidas. E isso resume a minha vida. Não é mesmo muito complicado, no final.
Um dia após o outro, um dia após o outro... o projeto de ontem é esquecido, surge um novo hoje, que já não é o mesmo amanhã. No quarto dia, três projetos frustrados.

Estou com vontade de falar com vocês sobre a depressão. É difícil. É difícil porque é íntimo, mas também porque é tabu. É vergonha, é fraqueza: e é daí mesmo que ela nasce - da vergonha, da fraqueza, da necessidade de ser igual. Mas, como diz o Marcelo Cidral, somos todos muito iguais e ao mesmo tempo muito diferentes. E somos extremamente limitados...
Existem pessoas com as quais conversar me faz pensar. Não pensar na hora, não me sentir bem ou mal imediatamente. Mas refletir, até filosofar. Conversando com algumas pessoas assim, posso passar meses remoendo a conversa. Enfim, certo dia, conversando com uma dessas pessoas, veio uma máxima: sempre seremos parciais. No sentido de que somos limitados pelas nossas experiências pessoais. Simplificando mais ainda: ninguém sabe o que o outro sente. Nem nunca vai saber. Ele pode viver exatamente a mesma circunstância - o que, por si só, já é bastante improvável -, e senti-la de maneira completamente diferente. Porque tudo que o outro viveu influenciou o que ele sentiu naquele momento, e ninguém viveu uma vida exatamente igual a ele. Isso é incrível e ao mesmo tempo muito frustrante. É incrível porque mostra que sempre teremos o que aprender um com o outro, trocas a fazer. E frustrante porque nunca vamos nos entender. Não no sentido profundo da palavra, pelo menos. Só que o ser humano (e os cientistas naturais principalmente) são viciados nos tais dos padrões... Só pra continuar, na verdade, buscando e entendendo as exceções. No fim, em muitos casos, há mais exceção do que regra.
Essa digressão foi só pra dizer que a depressão é individual. Toda doença é. Tem gente que pega uma gripe e cai de cama; outras pessoas pegam a mesma gripe e continuam com a vida normal, ou pelo menos é o que fazem parecer. E que, mesmo esse assunto sendo tabu, e o fato de eu falar sobre ele imediatamente me rotular de mil e uma coisas, dependendo de quem ler, eu sinto a necessidade de falar sobre ele aqui. De buscar as trocas, as experiências de outros, pra tentar entender a minha.
Oi, eu tive depressão. Se é que dá pra colocar isso no passado, de qualquer maneira. Não acho que eu, em particular, possa colocar no passado. Ela está sempre comigo, espreitando. Não acho que ela seja de todo ruim... Ela já me fez crescer muito, e me faz mais humana, mais falha e também mais humilde.

Era uma vez uma menina que achava que sabia de tudo. Que seguia todas as regras e sabia o que queria: satisfazer todas as expectativas que tinham dela - ou melhor, que ela acreditava que tinham dela. Por um longo tempo ela viveu assim, feliz, embora não satisfeita. Essa forma de viver tornava as coisas muito mais simples, fazia ela chegar onde queria, ou onde achava que queria. Até que um dia ela viu que não era exatamente onde ela queria. Um dia esse jeito de viver falhou. Ela passou a não saber mais de nada. E então ela começou a aprender. Aprendeu coisas muitos boas, mas também coisas muito difíceis. Precisou descobrir maneiras de lidar com as coisas que aprendeu, só pra no dia seguinte ver que não tinha nem arranhado a superfície, e começar tudo de novo.
Prazer, meu nome é Marina.


Esse texto foi diferente de qualquer um que já escrevi. Ele não tem começo, meio, nem fim, só o que fui sentindo e lembrando conforme fui escrevendo. Mas talvez assim seja melhor... sem filtros. Talvez alguém leia e se identifique. Talvez não faça ideia do que estou falando, mas queira entender. Talvez ache que eu sou louca de me expor assim. Pode ser.